O delegado de Cambé (16 km de Londrina), Jorge Barbosa, deve concluir até esta sexta-feira (20) o inquérito policial que investigou a morte da menina Joseane Pereira de Moraes, de 9 anos. A garota ficou desaparecida por cerca de um mês até uma ossada ser encontrada em um fundo de vale na região. Apuração da delegacia e do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) apontaram Adão Xavier, de 48 anos, como autor do assassinato.
Barbosa explicou nesta terça-feira (17) que aguarda a entrega dos documentos da delegada do Sicride, Daniela Serighelli. Ele disse que o suspeito do crime foi indiciado pelos crimes de estupro de vulnerável, homicídio qualificado e ocultação de cadáver e teve sua prisão decretada assim que confessou o assassinato. Segundo o delegado, Adão confessou o crime, contou como encontrou a criança e que abusou sexualmente e a matou com diversos golpes na cabeça.
Se somada a pena prevista para cada crime a prisão de Adão Xavier pode chegar a mais de 50 anos, conforme o delegado. O indiciado deverá permanecer na Casa de Custódia de Londrina até que haja alguma decisão da justiça no caso.
A Polícia Civil ainda aguarda resultado do exame de DNA que confronta o material coletado com material genético cedido pela mãe de Josiane. A mãe e a avó da criança já teriam reconhecido algumas amostras do cabelo como sendo da criança. O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) confirmou a morte por sequências de golpes na cabeça.
O assassino confesso de Joseane teria contado que estava bêbado quando matou a menina. Ele teria passado o dia bebendo pinga e cerveja. Após estuprar a criança, ele ficou com medo que ela o denunciasse e matou a vítima.
Adão era vizinho da família da garota e uma de suas filhas era amiga de Joseane. As investigações da polícia chegaram até ele após encontrarem a ossada, que estava envolvida em um saco. O material era idêntico ao encontrado em sua residência. Adão ainda teria demonstrado comportamento agressivo e ameaçado a família de Joseane. ( Com informações do Jornal O Diário)
Nota da UBM: É com profunda tristeza e indignação que a União Brasileira de Mulheres – Seção Paraná(UBM-PR), recebe essa notícia. Joseane, desapareceu no dia 03 de dezembro, quando foi sozinha a uma festa de natal, na igreja próxima a sua casa. Após um mês de procura, um corpo foi encontrado no córrego no bairro Ana Elisa III. Não há nenhum registro policial contra o suspeito, mas há denúncias no Conselho Tutelar por maus tratos e o relato de sua filha de 15 anos que afirma que Adão a levava a um prostíbulo e a oferecia para serviços sexuais em troca de copos de pinga.
Para a vice-coordenadora da UBM-PR, Carol Lobo - que também é tia da menina Rachel Maria Lobo Oliveira Genofre(9 anos), encontrado morta em 2008 dentro de uma mala na rodoviária de Curitiba - essa notícia é revoltante. “Mais um caso de brutal assassinato contra meninas. O total abandono do Estado, a falta de uma política eficiente de segurança pública, e de políticas públicas deixam nossas crianças expostas a todo tipo de risco, que vão além dos muros de casa. Crimes brutais contra mulheres e meninas têm chocado a sociedade paranaense, o Estado tem que dar uma resposta. Casos como esse e da menina Rachel Genofre, até hoje sem solução, não podem ser rotina no Paraná”, enfatiza.
A UBM PR se solidariza com a família, e segue em luta por justiça.


