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Nós
mulheres brasileiras, guerreiras da
luta cotidiana, construtoras de nossa história,
rompendo as cadeias da dominação e o peso secular da opressão social,
política, econômica, cultural e familiar conquistamos novos espaços.
Ampliamos nossa participação no mercado de trabalho, nos espaços de
poder e nos movimentos sociais, sindicais e populares e mudamos nosso
papel na família.
Neste momento de globalização, neoliberalismo e precarização do
trabalho, somos protagonistas de mudanças, de um novo ciclo histórico
— apostamos na esperança e no compromisso social para a construção de
um Brasil mais justo e igualitário. Já somos 43,9% no mercado de
trabalho. É o resultado da queda da fecundidade, da expansão da
escolaridade, do aumento do número de famílias chefiadas por nós, da
mudança em nosso papel social, cada vez mais voltado para o trabalho
fora de casa. No entanto, ainda trabalhamos entre 22 a 90 horas
semanais considerando a dupla jornada de trabalho!
Persistem as discriminações no campo do trabalho, as desigualdades
salariais e a dupla jornada, somos discriminadas na vida social, nas
relações de gênero e nas relações étnico-raciais. Ainda exercemos
predominantemente as atividades do setor serviço; representamos 80%
entre professores, nos serviços de saúde, entre as comerciarias,
cabeleireiras, manicuras, funcionárias públicas, e predominamos no
serviço doméstico remunerado, primeira ocupação das mulheres
brasileiras. São negras cerca de 56% das domésticas e recebem
rendimentos mais baixos. Em geral nós mulheres trabalhadoras temos
remuneração mais baixa, 40% menos que os homens, elevada jornada de
trabalho, pouca qualificação e baixa proteção social.
Continuamos sendo vítimas da violência de gênero e racial que se
expressam de várias formas, constituindo um problema social e de saúde
pública. A cada 4 minutos ocorre no Brasil um caso de agressão física
contra a mulher e, no mundo, de 15 a 30% das mulheres, pesquisadas
pela OIT, foram assediadas sexualmente e, uma a cada doze delas, teve
que abandonar o trabalho!
Ainda é difícil o acesso aos serviços de saúde e não alcançamos o
atendimento adequado e integral, em especial em relação às doenças
preveníveis como o câncer de colo e de mama, o HIV, a maternidade, em
particular a não planejada, e ao aborto que leva à morte milhares de
mulheres a cada ano. Somos 62% das internações hospitalares e 2/3 dos
usuários de medicamentos controlados!
Nossa imagem social que é representada e divulgada nos meios de
comunicação, nos livros didáticos e nas relações sociais cotidianas,
desvaloriza e dificulta a construção de nossa identidade como ser
humano sujeito de nossa cidadania e de nossa história.
Em especial, neste 8 de março, nós mulheres,
Reafirmamos o nosso apoio político a um Projeto Nacional comprometido
com a emancipação da mulher, neste novo momento da história
brasileira.
Reafirmamos nossa luta pela igualdade de oportunidades e por condições
de trabalho; pelo fim da violência de gênero e racial e todas as suas
expressões em nossa sociedade, como o assédio moral e sexual; por uma
saúde integral e qualificada que considere as singularidades de
gênero, de raça, de geração e de classe; por uma imagem social no
campo da educação e nos meios de comunicação que reflita a mulher
cidadã e trabalhadora.
Defendemos a melhoria e ampliação de Políticas Públicas de Gênero:
- que garantam maior qualidade de vida para nós mulheres,
principalmente as trabalhadoras e de setores populares, respeitando as
especificidades e, contribuindo assim, para reduzir as desigualdades
que enfrentamos em nosso viver cotidiano;
- que combatam a dupla jornada de
trabalho e favoreçam o pleno emprego da mulher e melhore as condições
de trabalho e salário;
- que garantam mecanismos para uma
maior participação da mulher no âmbito do poder político;
- que combatam todas as formas de
violência contra a mulher e amplie as Delegacias de Atendimento
Especializado e os Centros de Referência para atendimento às mulheres
vítimas de violência;
- que garantam às parturientes, acompanhante nas maternidades e que as
mesmas sejam estruturadas para tal, tanto em espaço físico como na
formação dos profissionais de saúde;
- que ampliem os preceitos legais para
a realização do aborto, respeitando o direito de decidir das mulheres.
Enfim, Políticas Publicas de Gênero como "direito de todas e dever do
Estado" para garantir a qualidade de vida, os direitos e liberdades
para cumprirmos o nosso histórico papel na busca da verdadeira
emancipação.
Viver nossas diferenças com direitos iguais!!
Viva o Dia Internacional da Mulher!!
União Brasileira de Mulheres - UBM.".
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