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Nós mulheres brasileiras,
herdeiras das lutas das mulheres de todos os tempos, vamos
rompendo as cadeias da dominação tirando, “uma a uma”, as pedras
de nosso caminho para tecer o mundo sem opressão, de igualdade e
fraternidade, de justiça social e de paz.
Nossa luta tornou visível a
situação das mulheres no trabalho, a violência, a discriminação e
as escandalosas cifras de morte materna. Possibilitou tratar
politicamente, na esfera pública, o que antes estava omitido no
âmbito do doméstico. Foi possível o reconhecimento social da
desigualdade entre homens e mulheres e a dura realidade de não
termos na vida a igualdade legal conquistada: são direitos humanos
fundamentais. Hoje a sociedade e nós, conhecemos melhor nossa
própria realidade.
O desemprego e o subemprego atingem
níveis recordes, a violência alcançou índices elevados, a economia
neoliberal prioriza o superávit primário e os investimentos
financeiros ao invés do investimento nas áreas produtivas para
ampliar os empregos e melhorar a vida das mulheres que são as mais
atingidas pela precariedade. Nos últimos tempos somamos muitas
vitórias mas, ainda queremos mais, para atingir a igualdade. Por
isso é importante a presença de todas nas lutas por nenhum direito
a menos e lutarmos por outros mais, na firme decisão de conquistar
a emancipação e a de todo o povo.
Mulheres no mercado de trabalho
precarizado
Mulheres e homens não têm a mesma
inserção no mercado de trabalho. As mulheres são 43,9% no mercado
de trabalho, e apesar das conquistas legais não tem oportunidades
iguais e não são valorizadas. Estão em atividades, em geral,
informais e por isso, mais expostas ao desemprego, vivendo mais
intensamente os efeitos da precarização do trabalho. Recebem
salários 40% menos que os dos homens, em sua maioria ganham até 1
salário mínimo. Em geral não tem carteira de trabalho assinada,
cumprem elevada jornada de trabalho, tem pouca qualificação e
baixa proteção social. Esta realidade é mais precária ainda quando
deparamos com 1/3 das mulheres que são as únicas responsáveis pela
família. A discriminação é ainda maior quando se trata das
afrodescendentes que representam cerca de 56% das trabalhadoras
domésticas e recebem salários mais baixos que as outras
trabalhadoras.
Violência contra a mulher – a
violência doméstica e no trabalho
O Brasil é líder mundial de
violência contra a mulher. De acordo com uma pesquisa feita pela
Sociedade de Vitimologia Internacional, chega a 25% o número de
mulheres que sofrem violência no país e 70% das assassinadas foram
vítimas dos próprios maridos. Os dados revelam também que, em
média, a mulher só denuncia a violência depois da décima agressão.
A violência doméstica é maior que a
violência das ruas, ou violência urbana e afeta a vida
profissional das mulheres: 19% já sofreram algum tipo de violência
e 43% são vítimas da violência sexista. O marido é o maior
agressor, é responsável por 70% das quebradeiras, 56% dos
espancamentos e 53% das ameaças com armas à integridade física (Fund.Perseu
Abramo,2001). A mais recente conquista trata da violência
doméstica, é o PL 4559/04(Jandira Feghali/PCdoB) que trata da
prevenção e punição da violência doméstica.
No ambiente de trabalho, no mundo,
de 15 a 30% das mulheres foram assediadas sexualmente e, uma a
cada doze, teve que abandonar o trabalho. A Lei 10.224/ 15/05/01,
trata o assédio sexual como crime e a pena é de um a dois anos de
detenção. O assédio moral está em primeiro lugar em número de
reclamações atendidas pelo Minist. do Trabalho e o mais comum é a
pressão para @ trabalhador/a pedir demissão. Outra conquista
recente é o PL 2369/03,que transforma em ilícito trabalhista a
prática do assédio moral.
Saúde, direitos sexuais e reprodutivos: morte materna e
legalização do aborto
A mortalidade materna desestrutura
as famílias além de afetar a economia. É indicador da saúde da
mulher em idade fértil, da qualidade da assistência ao processo
reprodutivo e da qualidade de vida. No Brasil estima-se 74 mortes
por 100.000 nascidos vivos. Em 2001, a CPI sobre
Mortalidade Materna, concluiu que 98% dos casos são evitáveis. É
maior entre as mulheres afrodescendentes, mestiças, indígenas,
pobres e solteiras vivendo nas regiões mais pobres. Entre as
principais causas estão: acidente vascular cerebral, AIDS, Aborto,
homicídios, câncer de mama, acidente de transporte, neoplasia de
órgãos digestivos, doença hipertensiva, doença isquêmica do
coração, diabetes, câncer de colo de útero (Boletim Rede
Saúde,2003). Para Unfpa, mais de 250 milhões de anos de vida
produtiva são perdidos no mundo pela morte de mulheres e meninas
por problemas na gravidez e aborto. Morrer de gestação, parto,
puerpério ou aborto não pode ser o destino das mulheres. As
recentes conquistas das mulheres foram o Pacto Nacional pela
redução da Mortalidade Materna e Neonatal (M.Saúde/04) e a luta
para aprovar o PL 1135 (Dep. Jandira Feghali) reivindicado pelas
mulheres na I Conferência de Políticas Públicas para as Mulheres
/2004, que propõe a descriminalização do Aborto e revê artigos do
Código Penal .
Nós, mulheres brasileiras queremos:
- valorização do trabalho da
mulher;
- redução da jornada de trabalho
sem redução salarial;
- capacitação das mulheres para o
mercado de trabalho;
-cumprimento do Pacto Nacional pela
redução de morte materna Estado eMunicípios – a descriminalização
e legalização do aborto;
- o combate ao assedio sexual e
moral no trabalho;
-garantia de acesso da mulher jovem
ao 1º emprego;
- punição à discriminação por sexo,
cor/raça/etnia, geração e orientação sexual.
Por um mundo de igualdade. Contra
toda Opressão!
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