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GOVERNO LULA
Nota da UBM ao presidente Lula
 
São Paulo, 20 de junho de 2005


Excelentíssimo Sr Luiz Inácio Lula da Silva

DD. Presidente da Republica

Na condição de Coordenadora Nacional da União Brasileira de Mulheres, entidade que congrega mulheres organizadas em 20 Estados brasileiros e que tem como plataforma política a luta em defesa dos direitos das mulheres, pela igualdade racial, pelos direitos d@s jovens,contra toda opressão e por uma sociedade de igualdade para tod@s, enfim pela plena emancipação das mulheres e de toda a sociedade e pela soberania nacional, depositamos a esperança de avançar na construção democrática e garantia dos direitos humanos d@s excluídos no projeto político que sustentou sua eleição para Presidente do Brasil.

Assim, nós, mulheres brasileiras e feministas:

- que, com sua eleição, tivemos nossas expectativas renovadas pela possibilidade de, a partir de um projeto popular, ter um Brasil mais humano e de justiça social;

- que, para isso, acreditamos ser necessário, construir uma consciência social para romper com valores tradicionais que discriminam e oprimem a maioria de homens e mulheres brasileir@s, trabalhador@s que aspiram a plena cidadania;

- que, para nós, significa reunir forças sociais e atuar com políticas públicas assumidas pelo Estado para superar as desigualdades de gênero, as violações dos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres e do seu direito a identidade própria, bem como os racismos e vulnerabilidades sociais da juventude deste país;

- que reconhecemos e valorizamos a iniciativa de criar espaços políticos até então inexistentes em nível de governo, Secretarias e Conselhos, um passo importante e concreto que superou resistências históricas tradicionais, significando à possibilidade de enfrentar a questão da desigualdade e da exclusão social de importantes segmentos que tem construído a riqueza do Brasil, dia a dia, nos últimos 500 anos e sua situação sequer estava desenhada inteiramente nos documentos oficiais como ordem do dia, tal a sua relevância para o desenvolvimento nacional.

Vimos, respeitosamente, neste momento crítico por que passa o Brasil, reafirmar nosso apoio ao projeto popular e as iniciativas que vierem a reforçá-lo em seu Governo. Projeto este, que criou espaços políticos de visibilidade a segmentos até então à margem da representação e presença institucional - mulheres, negr@s, indígenas e juventude. Portanto, é neste sentido que reforçamos a necessidade de que na Reforma Administrativa seja mantido o traço democrático - popular e de inclusão social de seu Governo, e por isso, reafirmamos a importância institucional das Secretarias Especiais, como a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, a Secretaria Especial de Igualdade Racial, a de Direitos Humanos.

Reafirmamos que o trabalho desenvolvido por estas Secretarias junto ao movimento social tem sido de grande relevância e tem contribuído para o empoderamento de setores até então desconsiderados historicamente pela sociedade e pelo poder públiico. E, como está sendo divulgado amplamente nos meios de comunicação, qualquer medida política que venha com o caráter de desqualificar estas Secretarias significará um retrocesso no compromisso político que vem sendo pactuado nestes dois últimos anos entre a Sociedade Civil/Movimentos Sociais e seu Governo.

Cordialmente,

Eline Jonas
Coordenadora Nacional da UBM

Conselheira do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (Rep. da UBM)

Conselheira Suplente do Concidades (Rep.da UBM)