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Manifesto Programa da UBM
Por um mundo de igualdade, contra toda
opressão
Somos brasileiras de muitos cantos desse país continente, firmando um
compromisso de unidade e de luta. Buscamos um novo Brasil para nós e para
os que virão depois.
Queremos um Brasil diferente, parte de um mundo de igualdade, onde sua
metade feminina não seja discriminada por sua condição de cidadã e
trabalhadora.
Queremos um Brasil que apague de sua face o sofrimento das operárias que
não têm onde deixar seus filhos; o sofrimento das camponesas que sequer
têm o seu trabalho reconhecido como produtivo; o sofrimento das
trabalhadoras em geral, esgotadas pela dupla jornada. Um Brasil que não
tenha funcionárias públicas desvalorizadas por governos reacionários,
intelectuais cerceadas na sua criação e produção por uma cultura alienante
e alienadora do papel da mulher; que não tenha donas de casa sufocadas
pela rotina doméstica.
Queremos um Brasil onde tenhamos acesso ao trabalho, salários justos e
iguais aos de nossos companheiros. Um Brasil onde tenhamos um rede de
creches públicas, iniciativas de aperfeiçoamento profissional e um efetivo
combate às discriminações contra a mã trabalhadora.
Queremos um país que reconheça na maternidade uma função social,
considerando os filhos como futuros cidadãos desse país; e que o Estado e
a sociedade assumam conosco as responsabilidades de educá-los e assegurar
sya sobrevivência. A ampliação da licença maternidade e a conquista da
licença paternidade são expressões sensíveis de que a sociedade avança
nesse reconhecimento.
Queremos um Brasil onde o fantasma da violência doméstica e sexual seja
combatido com instrumentos públicos. Na defesa da vida e da dignidade da
mulher é preciso Delegacias Especializadas, Assessorias Jurídicas,
conquistas a serem garantidas e ampliadas.
Queremos um Brasil que assuma sua cor
multi-racial e que condene a discriminação contra a negra como expressão
maior de atraso de um povo que tem a negritude como traço histórico e
cultural.
Queremos um Brasil onde a saúde seja um
bem público e a da mulher tenha uma atenção especial, onde ela possa
decidir o ter ou não ter filhos, com orientação para esta decisão.
Queremos um Brasil de homens e mulheres iguais.
Mas não acreditamos na igualdade entre os sexos nos limites das
desigualdades sociais. Por isso lutamos por um novo Brasil onde a
democracia seja um bem do povo, para que ele possa, livremente, participar
e escolher seu destino. Lutamos por um Brasil novo onde a soberania
nacional e os direitos sociais sejam um primeiro passo no caminho do
desenvolvimento independente voltado para o bem estar de seus habitantes.
Lutamos por um Brasil onde a terra seja fonte de alimento e trabalho para
os que nela trabalham e não fonte de especulação e lucro para os que a
exploram. Por fim, lutamos por um novo Brasil onde a exploração e a
opressão, hoje presentes, passem a ser apenas uma página do passado na
história de um povo que viverá uma nova sociedade de iguais, uma sociedade
socialista.
Queremos um mundo de igualdade. Para nós e para os que virão depois.
Salvador, 6 de agosto de 1988
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