Leia a seguir as resoluções
aprovadas no 6º Congresso da União Brasileira de Mulheres,
realizado em 17 de agosto em Salvador.
1. O VI Congresso da UBM reafirma o
Manifesto Programa aprovado no I Congresso, realizado em agosto de
1988, em Salvador-BA.
2. O VI Congresso da União
Brasileira de Mulheres - UBM, acontece nos marcos dos 15 anos da
entidade e num momento importante da história de nosso país. O
povo brasileiro elegeu um operário para a Presidência da
República, apostando nas mudanças que possam levar o Brasil a
trilhar um novo caminho — o caminho do desenvolvimento e das
transformações sociais, com trabalho e distribuição de renda mais
justa.
3. As mulheres brasileiras foram
protagonistas desta mudança e têm importante papel na construção
de um Brasil mais justo e igualitário e por isso a UBM conclama
todas a participarem ativamente da vida e das decisões políticas
que estão na ordem do dia de nosso país.
4. Na luta pela consecução destas
mudanças a UBM reafirma suas proposições programáticas de
prosseguir levantando a bandeira de uma sociedade brasileira
socialista.
5. A UBM apóia o governo do
Presidente Lula e acredita que o fortalecimento dos movimentos
sociais joga papel fundamental para que este governo possa
realizar as diretrizes traçadas no seu Programa, compromisso de
campanha pelo qual foi eleito, e para superar as pressões dos
setores conservadores que visam impedir as mudanças que todo o
povo brasileiro anseia.
6. Considera-se que o capitalismo
em sua fase neoliberal e mundializado, em particular em face de
beligerância do governo Bush e crescimento do poder do mercado,
imprime à economia política uma desumanidade que se reproduz em
vários espaços, públicos e privados e o retrocesso nas conquistas
das(os) trabalhadoras(es), com repercussões nas relações de gênero
e na situação das mulheres, da classe trabalhadora, em vários
países. Apoiar uma frente internacional de movimentos sociais
anti-imperalista e uma rede internacional feminista socialista que
resgate a solidariedade internacional, é ponto de destaque na
agenda da UBM.
7. A UBM insiste na defesa pela
qualidade das condições de vida e de trabalho das mulheres
trabalhadoras e dos setores populares considerando suas
especificidades, tendo em vista suas vulnerabilidades e diversos
tipos de violência sofridas nas relações entre o capital e o
trabalho e no sistema político cultural das relações desiguais de
gênero, unindo, portanto, investimentos no campo da micro e da
macro política.
8. Ao mesmo tempo em que a UBM está
com muitas outras entidades progressistas e do campo pelo
socialismo, ela reafirma a sua autonomia enquanto entidade e a sua
luta pela emancipação das mulheres e pela garantia dos direitos
conquistados, envidando esforços para o fortalecimento de sua
organização e atuação.
9. O VI Congresso da UBM avalia que
a mulher brasileira conquistou espaços na nossa sociedade, ampliou
sua participação no mercado de trabalho, no parlamento e nos
movimentos sociais, sindicais e populares. No entanto, permanecem
desigualdades que precisam ser superadas no campo do trabalho, da
vida social, das relações de gênero e das relações étnico-raciais.
10. As desigualdades salariais e a
dupla jornada de trabalho são uma constante no cotidiano das
mulheres; o acesso às instâncias de decisão ainda está longe do
desejado; a violência de gênero e racial se expressam de várias
formas, que é vista hoje também como um problema de saúde pública,
ainda está presente no cotidiano da vida de muitas mulheres e nos
seus lares; a saúde ainda não alcançou a integralidade desejada no
atendimento, fazendo com que doenças preveníveis como o câncer de
colo e de mama, o HIV, e até mesmo a maternidade, em particular a
não planejada, e o aborto levam à morte milhares de mulheres a
cada ano; a imagem social da mulher ainda representada e divulgada
nos meios de comunicação, nos livros didáticos e nas relações
sociais no cotidiano, desvaloriza e dificulta a construção de uma
identidade como ser humano agente e sujeito de sua cidadania e de
sua história. A UBM reafirma sua luta pela igualdade de
oportunidades de condições de trabalho; pelo fim da violência de
gênero e racial e todas as suas expressões em nossa sociedade,
como o assédio moral e sexual; por uma saúde integral e
qualificada que levem em conta as singularidades de gênero, de
raça, de geração e de classe; por uma imagem social no campo da
educação e dos meios de comunicação que reflita a mulher cidadã e
trabalhadora.
11. Quanto ao funcionamento e ação
da UBM é importante garantir uma estrutura mínima de
representação/organização que demonstre a unidade de nossa luta e
a organização da nossa entidade e crie mecanismo de aproximação
entre a coordenação nacional e as representações/organizações
como, por exemplo, a Articulação de Mulheres Brasileiras, a Rede
Nacional Feminista de Saúde, Articulação Nacional de Mulheres
Negras, Articulação de Mulheres Indígenas, Rede de Parteiras
Tradicionais, REHUNA - Rede pela Humanização do Parto e
Nascimento, Comissão de Cidadania e Reprodução, e as coordenações
locais da UBM.
Diante dos desafios que o momento coloca e o desejo de continuar
lutando por um Brasil, mais justo e soberano, o VI Congresso da
UBM, RESOLVE:
1. Ampliar sua participação de
forma organizada nas lutas políticas pelos direitos dos
trabalhadores e trabalhadoras e fortalecer os movimentos sociais,
urbanos e rurais, na perspectiva da construção de um Brasil
soberano, igualitário e socialista.
2. Apoiar o crescimento e a força
de expressão dos movimentos sociais, colaborando para que o
governo Lula realize as mudanças necessárias para a construção de
um Brasil mais soberano e mais igualitário, enfrentando as
investidas do mercado internacional e do FMI, no rumo do
crescimento e do desenvolvimento econômico do país.
3. Ampliar sua participação nas
Articulações e Fóruns Nacionais do Movimento Feminista e de
Mulheres, como por exemplo, a Articulação de Mulheres Brasileiras
e a Rede Nacional Feminista.
4. Ampliar e fortalecer a
articulação com os diferentes movimentos sociais, em particular
aqueles que compartem o projeto pelo socialismo. Assim, a UBM em
especial se propõe a uma articulação maior com a UNEGRO, com a
União da Juventude Socialista, com a Corrente Sindical Classista,
assim como colaborar com os esforços de luta e conscientização
critica-social, como a Coordenação dos Movimentos Sociais e o
Fórum Social Brasileiro.
5. Intensificar sua articulação com
as organizações sindicais urbanas e rurais, estimulando a criação
de secretaria da mulher trabalhadora, com pauta específica de
reivindicações das mulheres nas negociações e pelo cumprimento da
política de cotas nas direções.
6. Realizar/intensificar campanhas
pela ampliação da participação das mulheres nos partidos
políticos, inclusive nas esferas de decisão.
7. Intensificar sua articulação com
organizações da juventude, do movimento negro, do movimento de
idosos, do movimento de mulheres indígenas, de pessoas portadoras
de deficiência física e do movimento de gays, lésbicas,
transgêneros e travestis, fortalecendo uma ação mais unificada na
luta por direitos humanos e cidadania.
8. Realizar encontros temáticos com
a UJS, UNEGRO, CSC e outras entidades na perspectiva de construir
uma atuação mais articulada na luta emancipacionista das mulheres.
9. Empreender esforços no sentido
de fortalecer a FDIM no Brasil e a Rede Feminista Socialista da
América Latina, assim como buscar melhorar e intensificar outras
articulações no âmbito internacional.
10. Buscar incorporar na luta
cotidiana da UBM a melhoria e a ampliação das políticas públicas
de gênero, com ênfase na defesa do aumento de preceitos legais
para a realização do aborto e da defesa do direito de decidir; que
combatam a dupla jornada de trabalho e favoreça o pleno emprego da
mulher; que melhore as condições de trabalho e salarial; que
garantam as parturientes, acompanhante nas maternidades e que as
mesmas sejam estruturadas para tal, não apenas no espaço físico,
mas também na formação dos profissionais de saúde.
11. Ter uma marca própria na sua
atuação nacional, desenvolvendo campanhas unitárias, em nível
nacional, anual.
12. Lançar campanha em prol das
trabalhadoras em relações de trabalho precárias, sem cobertura
legal, como sobre a "Valorização do Trabalho: Carteira Assinada",
no ano de 2003; e no ano de 2004: "Mulher seu voto não tem preço"
e "Pelo combate à Mortalidade Materna"; e no ano de 2005, campanha
sobre a "Imagem social da mulher".
13. Realizar seminários e cursos de
capacitação visando formar lideranças feministas socialistas e
fortalecer a atuação da UBM, nos Estados.
14. Priorizar o seu papel de
Controle Social e estimular a participação, em nível local e
nacional, dos espaços existentes, como os Conselhos de Saúde, os
Conselhos da Condição Feminina, e outros.
15. Participar dos espaços
institucionais e ampliar seu nível de articulação com a área
governamental, no sentido de garantir uma interlocução mais
presente e com voz própria, em nível dos poderes Executivo,
Judiciário e Legislativo.
16. Considerando a importância da
sustentabilidade material da UBM para cumprir seus objetivos e
estas resoluções, conclamamos todas as associadas para assumirem o
compromisso de garantir a base material da entidade.
17. Considerar a revista "Presença
da Mulher" como importante instrumento teórico e de orientação da
concepção emancipacionista, assumindo o compromisso de sua ampla
divulgação. Realizar uma campanha nacional de divulgação e
assinaturas da revista "Presença da Mulher".
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