Quarta, 28 de Junho de 2017

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Por um mundo de igualdade contra toda opressão

Somos brasileiras de muitos cantos desse país continente, firmando um compromisso de unidade e de luta. Buscamos um novo Brasil para nós e para os que virão depois.

Queremos um Brasil diferente, parte de um mundo de igualdade, onde sua metade feminina não seja discriminada por sua condição de cidadã e trabalhadora.

Queremos um Brasil que apague de sua face o sofrimento das operárias que não têm onde deixar seus filhos; o sofrimento das camponesas que sequer têm o seu trabalho reconhecido como produtivo; o sofrimento das trabalhadoras em geral, esgotadas pela dupla jornada. Um Brasil que não tenha funcionárias públicas desvalorizadas por governos reacionários, intelectuais cerceadas na sua criação e produção por uma cultura alienante e alienadora do papel da mulher; que não tenha donas de casa sufocadas pela rotina doméstica.

Queremos um Brasil onde tenhamos acesso ao trabalho, salários justos e iguais aos de nossos companheiros. Um Brasil onde tenhamos uma rede de creches públicas, iniciativas de aperfeiçoamento profissional e um efetivo combate às discriminações contra a mãe trabalhadora.

Queremos um país que reconheça na maternidade uma função social, considerando os filhos como futuros cidadãos desse país; e que o Estado e a sociedade assumam conosco as responsabilidades de educá-los e assegurar sua sobrevivência. A ampliação da licença maternidade e a conquista da licença paternidade são expressões sensíveis de que a sociedade avança nesse reconhecimento.

Queremos um Brasil onde o fantasma da violência doméstica e sexual seja combatido com instrumentos públicos. Na defesa da vida e da dignidade da mulher é preciso Delegacias Especializadas, Assessorias Jurídicas, conquistas a serem garantidas e ampliadas.

Queremos um Brasil que assuma sua cor multi-racial e que condene a discriminação contra a negra como expressão maior de atraso de um povo que tem a negritude como traço histórico e cultural.

Queremos um Brasil  onde a saúde seja um bem público e a da mulher tenha uma atenção especial, onde ela possa decidir o ter ou não ter filhos, com orientação para esta decisão.

Queremos um Brasil de homens e mulheres iguais.

Mas não acreditamos na igualdade entre os sexos nos limites das desigualdades sociais. Por isso lutamos por um novo Brasil onde a democracia seja um bem do povo, para que ele possa, livremente, participar e escolher seu destino. Lutamos por um Brasil novo onde a soberania nacional e os direitos sociais sejam um primeiro passo no caminho do desenvolvimento independente voltado para o bem estar de seus habitantes. Lutamos por um Brasil onde a terra seja fonte de alimento e trabalho para os que nela trabalham e não fonte de especulação e lucro para os que a exploram. Por fim, lutamos por um novo Brasil onde a exploração e a opressão, hoje presentes, passem a ser apenas uma página do passado na história de um povo que viverá uma nova sociedade de iguais, uma sociedade socialista.

Queremos um mundo de igualdade. Para nós e para os que virão depois.

Salvador. 6 de agosto de 1988